1. Abertura
A Caçamba Voadora é um espaço de antropofagia visual, onde elementos aparentemente dispersos se juntam: fiapos, imagens e sons se misturam em vídeo-performances, colagens, sobreposições e na exploração do lado não convencional das ferramentas digitais e experimentações poéticas.
2. História e percurso
O projeto nasceu entre mudanças, fiapos recolhidos no Parque do Ibirapuera, portas transformadas em lousa e desenhos feitos com giz e água — num processo semelhante à gravura. Essa prática surgiu no tempo do Gesto Criativo, ao lado de Airton Filipeli, que começou desenhando com giz como exercício de treino. Eu subverti esse gesto, transformando-o em experimentação: pela repetição, que na montagem das imagens do vídeo aconteciam como em telas simultâneas de começo/meio/fim (assim mesmo, juntos), condensando tempos distintos de um mesmo processo.
Aos poucos, essas experiências se tornaram vídeos-performances que foram se transformando em filmes.
A Caçamba Voadora acolhe tanto registros de improvisos quanto narrativas construídas em longa duração, como Fiapos — vídeo-performance dedicada a Denise Stoklos — e outras criações onde o personagem Barão de Tutubarana surge em cena.
A cada trabalho, a caçamba se enche e se esvazia: resíduos visuais viram matéria estética, fragmentos de gestos se transformam em dança, memória e invenção.
3. Princípios
- Antropofagia visual: devorar imagens, sons e sobras para criar novos sentidos.
- Experimentação: a forma nunca é definitiva, cada vídeo é um processo.
- O nonsense como caminho de revelação.
- A fusão de linguagens: teatro, performance, poesia, música, animação.
- O humor sutil como resistência.
- A recusa do acabamento total: deixar ver o esqueleto, a falha, a sobra.
4. Conexão com o público
A Caçamba Voadora não é um depósito fechado: é um convite ao olhar curioso. Cada vídeo, cada experimento compartilhado no canal espera se encontrar com a sensibilidade de quem assiste — e essa, por sua vez, se tornar criadora através desse contato aberto e franco.
O público é parte do processo: quem assiste, reinterpreta e dá outros usos às imagens participa da mesma antropofagia que move a criação.
5. Fecho
Caçamba Voadora é voo e peso, resto e invenção. Um lugar para acolher o que sobra e transformar em arte o que parecia descartado.
O resto é combustível — e seu olhar, o fósforo.
Procuro você do outro lado da tela,
essa janela que se abre em tantos lugares,
ao mesmo tempo,
o nosso tempo,
que fica mais perto de uma distância…
Aqui do lado,
tudo é fluido.
E você risca o fósforo.
